Os Livros Malditos

A liberdade de expressão é um tema controvertido muito antes que os regimes comunistas ou totalitários se instalassem na era moderna. As grandes descobertas, o saber oculto, as novas filosofias, tem sido alvo de censura, patrulhamento e mesmo supressão, por grupos interessados em manter o establishment e a manipulação do conhecimento. Esse movimento atinge não apenas as paraciências, como também as ciências exatas.

Podemos ver muitos sábios eminentes de nossos dias, juntarem-se em verdadeiras irmandades dispostas a ocultar a qualquer preço informações valiosas sobre Genética, Física, Astro-física,Ufologia ou Química. Descobertas tão importantes que poderiam antecipar em algumas dezenas de anos o processo de evolução da humanidade. E tudo em nome de uma moral e uma ética duvidosas, já que, na virada de um milênio, mais que nunca prevalece o conceito de que “o mistério é inimigo da verdade”.

A fachada de que se vale esse movimento é a de que a difusão rápida e compreensível do saber, tem conduzido à destruição civilizações passadas. O que me faz presumir que essas elites consideram o conhecimento terrivelmente perigoso. Assim também os especialistas em magia ou alquimia, e até mesmo os teólogos concordam, ao que parece, com esse ponto de vista.

Exemplos dessa verdadeira conspiração atravessam os tempos e citarei neste artigo, apenas alguns dos muitos livros que, ao longo dos séculos foram condenados irremediavelmente à destruição, deixando a humanidade órfã, assombrada e ignorante.

A DESTRUIÇÃO DA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA

Essa monumental obra parece ter sido fundada por Ptolomeu I ou II, entre 331 e 330 a.C, em Alexandria, cidade que recebeu o nome do conquistador Alexandre - O Grande. Compreendia dez grandes salas e quartos separados para os consultantes. Seu organizador foi um personagem de nome Demétrios de Phalère.

Demétrios agrupou setecentos mil livros e continuou aumentando sempre esse número, adquirindo novas obras às expensas do rei. Mais tarde, foi eleito governador de Atenas no período compreendido entre 317 e 307 a.C, sendo considerado como um juiz de elegância em seu país - foi o primeiro ateniense a descolorir os cabelos. Mais tarde, banido para Tebas, escreveu um grande número de obras, uma delas com o estranho título: “Sobre o feixe de luz no céu” que é, provavelmente, o primeiro livro sobre discos voadores. Morreu em Busíris, no Egito, vítima da mordida de uma serpente venenosa.

Após a morte de Demétrios, muitos outros bibliotecários - pelo menos oito, ocuparam-se da manutenção desse colosso: Zenodotus de Éfeso, Callimachus de Cyréne, Apolonius de Rodes, Eratosthenes de Cyréne, Aristophanes de Bizâncio, Apolonius, o Eidógrafo e Aristarco da Samocrácia.

Na época de Júlio César, em torno de 47 a.C, a biblioteca tinha a reputação de guardar livros secretos, capazes de conceder poderes ilimitados a quem os lessem, o que despertou a curiosidade do Imperador, primeiro dos muitos que profanaram suas salas, numa pilhagem descarada.

Dentre as obras consideradas mais “perigosas”, encontravam-se o conjunto de escritos de Bérose, sacerdote babilônico refugiado na Grécia. Bérose nos deixou o relato de um encontro com extraterrestres, os misteriosos Apkallus, seres semelhantes a peixes, vivendo em escafandros e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos científicos. A História do Mundo de Bérose, que descrevia esses contatos, foi perdida. Restam apenas alguns fragmentos. Mas a totalidade dessa obra estava em Alexandria e ficou perdida para sempre.

Encontrava-se também em Alexandria, a obra completa de Manethon. Este sacerdote e historiador egípcio, contemporâneo de Ptolomeu I e II, conhecia todos os segredos do Egito, lia os hieróglifos e tinha contato com os últimos sacerdotes egípcios. Sua obra - oito livros e quarenta rolos de pergaminhos desapareceu. Se tal coleção tivesse sido conservada, provavelmente saberíamos tudo sobre os primórdios da civilização egípcia. Foi exatamente isto que se quis impedir.

Igualmente sabe-se que a biblioteca continha obras de um historiador fenício, Mochus, ao qual se atribui a invenção da teoria atômica.

De todos esses manuscritos, não resta nada. Sabe-se que o total de obras existentes quando a destruição começou era de quinhentos e trinta e dois mil e oitocentos. Sabemos também que existia uma seção denominada “Ciências Matemáticas” e outra designada como “Ciências Naturais”. O catálogo geral também foi destruído.

César inaugurou essas destruições. Levou um certo número de livros - entre 40.000 e 70.000, queimou uma parte e apoderou-se dos que lhe pareceram mais importantes. Entretanto, existe uma teoria de que César jamais queimou livros na biblioteca e que o primeiro incêndio teria sido acidental, resultado das chamas provenientes de um bairro próximo onde se lutava e que os livros pilhados foram queimados no porto de Alexandria (como se isso fosse tão importante!) .

A segunda ofensiva, a mais séria de todas foi perpetrada pela Imperatriz Zenóbia, mas ainda desta vez a destruição não foi total. Depois dela, o Imperador Diocleciano (284 a 305 d.C, quis destruir todas as obras que revelavam os segredos da fabricação do ouro e da prata, isto é, as obras sobre Alquimia, por julgar que se os egípcios pudessem dominar essa arte, obteriam meios de organizar um exército para combater o seu império. Tudo indica que os documentos destruídos continham chaves essenciais que nos faltam para a compreensão dessa ciência.

Mas o golpe final viria em 646 d.C. quando a palavra de ordem dos conquistadores muçulmanos era “não há necessidade de outros livros, senão o Livro”, isto é, o Alcorão. E a portentosa obra de Ptolomeu, sucumbiu pelas chamas, sob as ordens de Omar, o vencedor, fanático que odiava livros, por nunca haver encontrado nos mesmos referências ao seu profeta.

Em que pese a importância capital do que podemos considerar como o primeiro grande repositório de saber da humanidade, existem outros exemplos não menos importantes:

Por volta de 1850, Helena Blavatsky, controvertida personagem do mundo ocultista e fundadora da célebre Sociedade Teosófica, anunciou ao mundo a existência de um livro maldito intitulado As Estâncias de Dzyan, cujo original estava bem guardado num mosteiro do Tibet e que supostamente revelava segredos provenientes de outros planetas, contando uma história de centenas de milhões de anos. Blavatsky afirmava ser capaz de consultá-lo por clarividência.

Verdade ou mentira, o fato é que após o anúncio dessa descoberta, ela que era uma pessoa quase analfabeta, passou a escrever sobre assuntos que variavam da linguística até a física nuclear, passando por todos os conhecimentos de sua época e até mesmo por ciências ainda não inventadas, numa demonstração de enorme cultura. Em sua mais conhecida obra, Isis Desvelada, Madame cita perto de 1.400 livros que ela NÃO possuia. As citações são corretas.

Nesse período, Madame Blavatsky sofreu inúmeros atentados físicos e metafísicos. Ameaçada pela elite espiritual do Tibet, caiu doente e durante três anos perambulou pela Europa como se estivesse sendo perseguida. Em 1870, a bordo de um navio que atravessava o canal de Suez, foi vítima de uma explosão que aniquilou a maior parte dos viajantes, transformando-os em poeira tão fina que nenhum cadáver pode ser resgatado. Entretanto, milagrosamente ela sobreviveu. Tempos depois, ao dar uma entrevista coletiva à imprensa dobre as Estâncias, um louco atingiu-a com tiros, declarando em seguida, que fora teleguiado. Ela escapou.

Mais tarde, foi vítima de uma terrível campanha de difamação, o que não impediu que ela e sua Sociedade Teosófica tivessem um importante papel na libertação da Índia do jugo da Inglaterra. É certo também que o Serviço de Inteligência e outros instrumentos do imperialismo inglês, tomaram parte na conspiração contra Madame Blavatsky e contra o livro de Dzyan, mas é também muito provável que, por trás dessas organizações, estivesse atuando uma ainda mais poderosa e não política, que procurou impedir Madame Blavatsky de falar.

E 1885, o escritor Saint-Yves Alveydre, recebeu uma ordem, sob pena de morte, de destruir sua última obra “Missão da ïndia na Europa e Missão da Europa na Ásia. A questão dos Mahatmas e sua solução”. Apavorado, obedeceu, mas um exemplar escapou e voltou a ser impresso, com tiragem limitada em 1909.

Em 1897, os herdeiros do escritor e ocultista Stanislas de Guaita, receberam ordens, sob pena de morte, de destruirem quatro manuscritos inéditos que versavam sobre magia negra, assim como todo o seu arquivo. A ordem, foi devidamente executada.

E 1903, Mikhail Mikhailovitch Fillippov, sábio russo do final do século passado, pagou com a vida pelo seu “A revolução pela ciência ou o fim das guerras”.  Foi assassinado pela polícia oficial do Tzar e teve todos os seus 301 trabalhos, além do laboratório onde trabalhava, incendiados e totalmente destruídos.

Ele havia feito uma prodigiosa descoberta. Encontrara um meio de transmitir por rádio, sobre um feixe dirigido de ondas curtas, o efeito de uma explosão. Escrevera numa das cartas endereçadas a amigos: “Posso transmitir sobre um feixe de ondas curtas toda a força de uma explosão. A onda explosiva se transmite integralmente ao longo da onda eletromagnética portadora, o que faz com que um cartucho de dinamite explodindo em Moscou possa transmitir seu efeito até Constantinopla. Experiências feitas mostram que tal fenômeno pode ser produzido a milhares de quilômetros de distância. O emprego de uma tal arma na revolução, faria com que os povos se levantassem e as guerras se tornassem totalmente impossíveis”.

É impossível enumerar num só artigo, as muitas e tantas histórias sobre livros que, por inúmeras razões foram considerados malditos. O livro de Toth, O Manuscrito Mathers, o Steganographie etc.  Recomendo a leitura de Jacques Bergier - OS LIVROS MALDITOS - da HEMUS Editora e Livraria, publicado em 1971, onde apoiei parte de minha pesquisa.

Nos tempos de hoje, temos um trágico exemplo do fanatismo e intolerância de que são vítimas alguns de nossos mais brilhantes intelectuais. Salman Rushdie, autor dos Versos Satânicos, vive em exílio desde 1990, na Inglaterra, fortemente protegido pela Scotland Yard. Seu crime? haver desafiado os dogmas impostos pelo Aiatolá Komeini e seus asseclas enlouquecidos. Sua morte foi decretada e seus livros queimados em praça pública. Seus bens confiscados. Seu casamento destruído e sua vida reduzida ao aprisionamento em quartos de hotéis.

Até quando?  

Gloria Britho

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