Aleister Crowley - O Mago do Novo Aeon

Louco, depravado, dependente químico, declarado por seus opositores "O homem mais perverso do mundo”, são epítetos frequentemente utilizados para qualificar essa figura quase mítica.

Na verdade, existe uma mistura de informações sobre esse homem tão controvertido e genial que se auto intitulava “A besta – O 666”. Ele deve adorar saber que ainda hoje seu nome causa tanto “frisson” entre as camadas mais conservadoras e curiosidade, nas gerações de jovens que buscam avidamente, desvendar os seus mistérios. Suas idéias influenciaram e ainda o fazem, gerações inteiras pelo mundo afora, inclusive aqui no Brasil, onde foi vastamente citado por nosso maluco beleza – Raul Seixas e seu parceiro na época, Paulo Coelho esse que, tempos depois, preferiu se recolher a condição de cristão arrependido. E se deu bem!!!

Aleister Crowley ou Edward Alexander Crowley, um inglês libriano, nascido em berço conservador e religioso, em 1875 foi, certamente, o divisor de águas entre o antigo e o moderno Ocultismo Ocidental. Sua biografia é tão complexa e repleta de meias verdades que, mesmo havendo estudado inúmeros textos, conversado com os mais diversos entendidos, jamais acreditei que a estória contada seja verídica, salvo meros detalhes, o que me leva a manter um clima low profile nesse texto.

A sua obra foi, no meu entender, uma tentativa de extrair uma Verdade unificada de todas as religiões e escolas tradicionais de Sabedoria, tornando-a acessível e capaz de atender cada indivíduo em sua busca do Deus em sua Plenitude. Ele foi um homem muito adiante do seu tempo e por essa razão, incompreendido pela maioria reacionária e desinformada.

Sua obra mais conhecida é o Livro da Lei, supostamente canalizado por sua esposa Rose Kelly, mas ele também nos deixou em torno de cinqüenta ensaios versando sobre o mais variados temas, incluindo Cabala e Magia Cerimonial. Era também um profundo conhecedor de Astrologia, contribuindo de maneira inestimável para os estudantes dessa arte.

Mas voltemos ao Livro da Lei: Conta a estória que, em 1904, já um Magista competente, iniciado na Aurora Dourada, uma das mais importantes Ordens Mágicas de todos os tempos, durante uma de suas muitas viagens, desta vez ao Egito, desfrutando a lua de mel com Rose Kelly, Crowley fez uma invocação de elementais do ar para sua jovem esposa e para a sua surpresa, ao invés dos silfos se manifestarem, a mulher começou a balbuciar: O deus Hórus falava através dela, detalhando instruções que deveriam ser observadas rigorosamente.

Nos três dias subseqüentes, Crowley teria recebido o Livro da Lei, um poderoso Grimório de instruções mágicas, a Lei da era de Aquário. Ditado por uma entidade de nome Aiwaz (que mais tarde Crowley associou a seu Eu superior), a Lei da nova era é sintetizada na frase “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei, e tem como contraponto e complemento, “ Amor é a lei, amor sob Vontade”. Ora, um desavisado, poderia imaginar que Crowley/Aiwaz, estivesse tentando inaugurar um novo tempo de libertinagem – o que alguns preferiram interpretar assim e se deram muito mal. A vasta obra de Crowley nos mostra que liberdade sim, mas com conhecimento, em suas próprias palavras:

“O tolo bebe, e se embebeda: o covarde não bebe. O homem sábio, bravo e livre, bebe e dá glórias ao Mais Alto Deus.”

Em seu fantástico tarot – O Livro de Thoth – nosso mago se superou, deixando um conjunto fabuloso de informações, integrando o simbolismo esotérico de diversas tradições de Sabedoria Antiga, codificados nas cartas desenhadas por ele e pintadas por Lady Frida Harris, uma das suas “mulheres escarlates”, apelido dado às suas inúmeras parceiras de magia sexual.

O projeto desse tarot, no início despretensioso e com um prazo curto para a sua realização, acabou se tornando uma obsessão para Crowley e Frida. Foram centenas de esboços ao longo de cinco anos de trabalho incessante, se tornando um dos últimos trabalho do mago, que morreu em 1947, aos 72 anos, segundo alguns em conseqüência de uma overdose de heroína, de acordo com outros, em decorrência de complicações cardíacas associadas a bronquite.  Lady Frida, produzia inúmeras versões de cada “atu”, ou arcano, para que Crowley escolhesse a que mais se aproximava da mensagem que desejava perpetuar. Ele queria algo inteiramente novo, revolucionário, libertador. É sabido que existe um total de 1.200 símbolos contidos nas 78 cartas. Sim, ele conseguiu!

Ambos morreram antes que o baralho fosse publicado – Lady Frida Harris, em 1962. Apenas em 1969 foi que o major Grady L. McMurray, antigo parceiro, tornou possível a reprodução fotográfica e a publicação do tarot.

Eu poderia ficar aqui escrevendo noite após noite – são tantas as estórias que colecionei algumas dignas dos bastidores da Corte, outras, verdadeiras lições de sabedoria, algumas, incrivelmente degeneradas. Mas é que, ao sentar para redigir a ementa do curso que pretendo ministrar sobre essas cartas, uma forte impressão se fez presente. Não, não pensem que foram Hórus ou Aiwaz manifestos. Relembrei o quanto a filosofia desse homem influenciou a minha própria vida. Das experiências e experimentos, das noites insones, das conversas intermináveis, dos tropeços e acertos.

Ainda hoje, já vivendo o crepúsculo da segunda volta de Saturno, busco seguir o meu TU e o que ele QUER. Não é muita fácil, posto que ser uma estrela na complexa constelação humana, é trabalho árduo, solitário, que exige coragem e, sobretudo, responsabilidade. De uma coisa agora tenho certeza: Amor é a Lei. Amor sob Vontade. Fora disso, não existe, para mim, outra verdade.  

Glória Britho

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