A Importância da Água - Preservando enquanto é tempo

Em tempos de seca, talvez seja bom conhecer um pouco mais sobre o líquido primordial eassim, quem sabe, tratá-lo com mais respeito: Água mineral, água pesada, água lustral,água boricada, água de rosas...
 
No Dicionário de Aurélio Buarque de Hollanda, o verbete água, recebe nada menos do que 93 classificações.
 
Os ocultistas sempre estiveram à vanguarda das descobertas científicas e as pesquisas dos cientistas quase sempre provam que os segredos transmitidos desde tempos imemoriais e descobertos entre os mistérios desconhecidos da humanidade, já eram conhecidos e comprovados nos tempos de nossos Ancestrais Superiores.
 
Quando os alquimistas se debruçaram em seus alambiques, a maioria dos racionalistas com certeza julgava que a obra deles era empírica e portanto fadada ao insucesso. A pedra filisofal, a panacéia, o ouro potável, o elixir da imortalidade seriam apenas sonhos nebulosos de idealistas ingênuos.
 
Um belo dia, um cientista soviético, também debruçado sobre um alambique mais aperfeiçoado, deslumbrou-se. Acabava de descobrir algo que não era a pedra filosofal, mas que se parecia muito com ela. A descoberta milagrosa era água Óxido de Diidrogênio, líquido, incolor, apta a produzir o mais grandioso milagre: a vida!
 
As origens da água tem sido objeto de numerosos estudos. A teoria de sua formação apoiava-se no fato de que as águas dos oceanos, em contínua evaporação, formavam espessas camadas de nuvens que, em forma de chuva umedeciam os continentes e voltavam ao mar, formando um ciclo praticamente eterno. Hoje, essa verdade é apenas parcialmente certa. 
 
Os trabalhos do cientista C.Louis Kervran revelaram um conceito extraordinário. O líquido essencial não parte apenas de uma combinação aérea de hidrogênio e oxigênio, mas se inicia na transmutação do calcário em água. Em outras palavras, as reservas terrestres não caem do céu, mas se formam nas entranhas da terra; os imensos lençóis e as correntes subterrâneas vêm de massas calcárias que ao longo de milênios se transmutaram em água.
 
A arkose (uma rocha de tipo grosseiro, feita de detritos) é um produto das gredas costeiras dos antigos mares permianos (da era primária) após um ciclo aproximado de 200 milhões de anos. Essa greda, ou argila, passa normalmente por um estágio de sílice hidratada, por uma fase de cal carbônica da qual saem o alumínio e o ferro, depois volta a ser argila recorrente (recorrente=que volta ao ponto de partida) ou argila cíclica, fechando o circuito em 200 milhões de anos.
 
Durante esse ciclo, as matérias transmutadas quando reaparecem sob forma de hidrato de óxido de silício-alumínio, solucionam-se em água com deutério ou água com hélio, sob alta pressão capilar dos interstícios minerais (o que explica a presença de água-mãe nas células vegetais.
 
Essa água, que já foi argila, fortemente ionizada, tem extraordinárias características físicas: ebulição a cerca de 600 graus e congelamento a cerca de -40 graus, formas diferentes ou então nenhuma cristalização, dependendo da força das tensões internas devidas justamente ao grau de ionização, ou seja de positividade-massa.
 
Em resumo, podemos dizer que as rochas e especialmente o calcáreo contém água água, mas não de inclusão à alta pressão capilar, como se afirmava não faz muito tempo, mas na forma elementar de H e de O, em semimoléculas de água.
 
A transmutação do calcáreo em água se inicia a partir das moléculas elementares. A vida celular e todos os gêneros de vida manifesta nascem na água e a partir da água. Antes dos aminoácidos (ADN - ácido desoxyribonucléico e ARN - ácido ribonucléico),é a água a fonte primordial de manifestação da vida. Esse fato era conhecido pelos alquimistas, pesquisadores de elixires de longa vida, de água pôntica, da pedra filosofal líquida, do solvente universal, do quinto elixir e do orvalho alquímico.
 
Ridicularizados, combatidos e até mesmo presos e executados, esses precursores do moderno cientificismo, não se abateram. Afinal, ele tinham razão! Mas não vamos nos ater apenas a teorias científicas. A água tem muito mais para nos contar. Suas significações simbólicas podem reduzir-se a três temas dominantes: fonte de vida, meio de purificação e centro de regeneração. Eles estão fartamente representados nas mais antigas tradições e formam as mais variadas combinações imaginárias e as mais coerentes também.
 
Por ser a água, uma massa indiferenciada, ela representa a infinidade dos possíveis, contendo todo o virtual, todo o informal, todas as promessas de desenvolvimento, mas também todas as ameaças de reabsorção.
 
As diversas culturas podem nos ajudar a apreender e aprofundar o conhecimento sobre os diversos matizes dessa simbologia.
 
Na Ásia, a água é considerada a substância de todas as coisas, a origem da vida e o elemento de regeraçao corporal e espiritual. Símbolo da fertilidade, da pureza, da sabedoria, da graça e da virtude. Fluida, sua principal tendência é a dissolução, mas, enquanto homogênea, também representa a coesão, ou,coagulação. Tudo era água, diziam os textos hidús. As vastas águas não tinham margens, dizia um texto taoísta, Bramanda. O Ovo do Mundo, foi chocado à superfície das Águas, da mesma forma que o Sopro, ou Espírito de Deus, pairava sobre as águas, no Gênesis.
 
Origem e veículo da vida, em certas alegorias tântricas a água representa prana, a energia vital.
 
Da mesma forma, a água é o instrumento de purificação ritual. Do Islã ao Japão, passa dos ritos taoístas aos cristãos (batismo e aspersão), simbolizando o retorno ao começo, ao estado embrionário, do qual renascerá o indivíduo para uma nova vida. Jesus, em seu diálogo com a samaritana, dizia: "Aquele que beber da água que eu lhe darei, não terá mais sede ...A água que eu lhe darei se tornará nele fonte de água a jorrar em vida eterna ''(João, 4, versículo 4).
 
A Identificação da água aos processos sagrados de criação, pode também resultar do fato de, num passado muito remoto, as fontes e poços serem lugares de reunião para os nômades. Em torno das nascentes, muitos povos se criaram e, ao redor de poços as decisões mais cruciais eram tomadas. A marcha dos hebreus e a caminhada de todo homem na peregrinação terrena, estão intimamente ligados ao contato exterior ou interior com a água. Esta se torna, então, um centro de luz - um oásis. Ainda hoje, os cultos são deliberadamente concentrados em torno das nascentes. Todo lugar de peregrinação comporta seu olho d água. A gruta de Lourdes é um desses exemplos.
 
Na Palestina, a hospitalidade exige que se ofereça água fresca ao visitante e que seus pés sejam lavados, a fim de assegurar a paz do seu repouso.
 
Enquanto símbolo de fertilidade, encontramos o simbolismo da chuva - princípio, masculino,yang, associado ao fogo e ao céu, que vem fecundar a terra - principío feminino, yin, associado à Lua. No encontro dos dois, o processo de germinação é desencadeado. Tanto no caso de um quanto no de outro, o símbolo da água contém o do sangue que, num sentido alegórico, vai represesentar o sangue celeste, associado ao Sol e ao fogo e o sangue menstrual, associado à Terra e à Lua.
 
Entre os astecas, o sangue humano, derramados em sacrifícios periódicos para a regeneração do Sol, era chamado chalchiuatl - água preciosa. 
 
A água, semente (esperma) divina, também fecunda a terra para dar nascimento aos Heróis, os Gêmeos, na cosmogonia dos dogons. Esses gêmeos vêm ao mundo, homens até os rins e serpentes daí para baixo.
 
A água-plasma, feminina, a água doce, a água lacustre, a água estagnada e a do oceano, espumante, fecundante e masculina, são cuidadosamente diferenciadas na Teogonia de Hesíodo. 
 
Na mitologia grega, Oceano foi o primeiro deus das águas, filho de Urano ou Céu, e de Gaia, a Terra. É o pai de todos os seres. Homero disse que que os deuses eram originários de Oceano e Tétis. Oceano é pois tão antigo como o mundo, por isso representam-no sob a forma de um velho, sentado sobre as ondas, com uma lança na mão e um monstro marinho ao seu lado.
 
Igualmente importante, encontramos Netuno, em grego Poseidon, filho de Crono (ou Saturno) e Réia, irmão de Zeus (ou Júpiter) e Hades (ou Plutão). Na partilha que os três irmãos fizeram do Universo, ao destronarem o pai, ele teve por quinhão o mar, as ilhas, e todas as ribeiras.
 
Poseidon governava seu império com caráter, força e impetuosidade, aliadas a uma placidez imperturbável. Casado com Anfritite, foi pai de Tritão e de muitas ninfas marinhas.
 
A exemplos de outras divindades olímpicas, Poseidon era um conquistador rematado e, em suas aventuras extra-conjugais, recorria à metamorfoses para envolver suas amadas. 
 
Representam-no como um touro, no episódio da filha de Éolo; sob a forma de rio, quando conquistou Ifiomédia, sob a de um carneiro, para seduzir Bisaltis ou como cavalo, para enganar Deméter. Enfim, como um grande pássaro nos amores com Medusa e como delfim, quando se apaixonou por Melanto. Esse dom de transformação, é uma clara alusão à mutabilidade das águas, ou do cadinho fervilhante das emoções, como preferirmos.
 
Dentre o fabuloso elenco de divindades, ainda encontramos Tritão, Proteu, as Hárpias, as Sereias, as Górgonas, os Cíclopes, os Rios, as Fontes,as Náiades etc. Mas, de todos esses personagens, a mais encantadora e definitivamente célebre é Afrodite (ou Vênus). Ela presidia os prazeres do amor. 
 
Seu nascimento é fruto da espuma do mar aquecido pelo sangue e esperma do Céu ou Urano, derramados pelo filho Crono (ou Saturno), responsável pela castração do próprio pai. 
 
Afrodite nasceu perto da ilha de Chipre, brotando, esplêndida, de uma madrepérola. Segundo Homero, foi conduzida a essa ilha por Zéfiro (um vento), que a entregou nas mãos das Horas, encarregando-as de sua educação. 
 
Ao mesmo tempo celeste e marinha, a deusa da beleza e dos prazeres, mãe dos Amores, das Graças, dos Jogos e dos Risos, foi dada em casamento por Zeus a Hefaísto, deus-ferreiro, coxo, velho e feioso. Inconformada, Afrodite teve inúmeros amantes, humanos e divinos, dentre os quais se destacaram Ares (ou Marte) de cuja aventura resultou Eros (ou Cupido) e Adonis, um maravilhoso jovem.
 
Mirfa, mãe de Adonis, fugindo à cólera paterna, refugiara-se na Arábia, onde os deuses transformaram-na na árvore que dá a mirra. Ao chegar a época do nascimento, a árvore se abriu para dar à luz um lindo menino. Este foi recebido pelas ninfas que o alimentaram nas grutas da vizinhança. Na adolescência, foi para a Fenícia, onde conheceu Afrodite. Foi amor à primeira vista. Desdenhando o amor dos deuses, a bela passou a seguir o jovem em suas caçadas nas florestas do monte Líbano. Enciumado, Ares, o amante desprezado, transformou-se em furioso javali e, atirando-se contra Adonis, matou-o. Desesperada de dor, Afrodite tomou nos braços o corpo de amado e transformou-o em anêmona - flor efêmera da primavera.
 
Longe de ser apenas a deusa amável dos Risos e Graças, Afrodite era vingativa e impiedosa. Para punir Apolo - o deus-sol, pela indiscrição de haver revelado à Hefaísto seu romance com Ares, tornou-o infeliz nos amores. Castigou a musa Clio, que havia censurado seu amor por Adonis e a Hipólito que desdenhara seus atrativos.
 
Mas, depois de tantas considerações, históricas, científicas e mitológicas e que, ainda assim, nem de longe se aproximam do infindável simbolismo da água, fica uma questão: Será que, a própria existência humana em seu estágio fetal, como um verdadeiro homo aquaticus, poderia chamar à memoria, os tempos longínquos em que o ovo primordial flutuava sobre as águas da criação?
 
Glória Britho

 

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